Crise nos Correios mantém empresa à beira de não pagar o 13º e a folha de dezembro, o governo abre caminho para empréstimos com garantia da União e o PT reforça que o Estado deve induzir a economia
Os Correios chegam ao 36.º mês da gestão Lula com risco de não honrar o 13.º salário, nem os vencimentos de dezembro, sem uma injeção de recursos do Tesouro ou um empréstimo garantido pela União.
O problema operacional e financeiro da estatal agrava a discussão sobre qual papel o Estado deve ter na economia, com o PT defendendo o papel do Estado como indutor do crescimento, enquanto membros do governo relativizam a crise fiscal.
As informações e dados sobre a situação da empresa e as medidas recentes foram detalhadas pela reportagem, conforme informação divulgada pelo O Globo.
O diagnóstico financeiro e a corrida contra o tempo
Sem recursos imediatos, os Correios enfrentam a possibilidade real de não conseguir pagar o 13.º salário, no dia 20, nem os vencimentos de dezembro, no fim do mês, salvo aporte do Tesouro ou empréstimo com garantia federal.
Para tentar evitar que a empresa seja reclassificada como dependente do Tesouro, o presidente assinou um decreto que permite que estatais, chamadas de “não dependentes”, apresentem um plano de reequilíbrio econômico-financeiro, e também abre caminho para empréstimos com garantia da União.
O decreto, desenhado para a situação da estatal, busca blindar técnicos que relutavam em autorizar operações que pudessem levá-los a responsabilidades em caso de calote, e evita que as contas dos Correios entrem diretamente no Orçamento da União.
Desempenho operacional e números que preocupam
O problema não é apenas contábil, é também operacional. Documentos mostram que, entre janeiro e dezembro, a média de encomendas transportadas pelos Correios caiu 16%, e o índice de entregas no prazo baixou de 98% para 77%, em igual período.
Essa perda de volume e de eficiência torna mais difícil a competição da estatal com empresas privadas, que têm agilidade e músculo financeiro superiores, colocando dúvidas sobre o modelo de atuação dos Correios no mercado de encomendas.
Posição política, discursos e responsabilidade
Politicamente, o PT mantém a narrativa de defesa do papel do Estado na economia, e em uma resolução recente o partido afirmou que deve responder à “regressão social proposta pela direita” e conter privatizações de estatais, bancos públicos, saúde, educação e previdência.
Ao mesmo tempo, no governo, há quem minimize a percepção de crise nas contas públicas, com o ministro da Fazenda caracterizando como “delírio” falar em crise fiscal, enquanto o ministro responsável pelos Correios sinaliza a necessidade de uma “reinvenção” da empresa.
Medidas, riscos fiscais e o que vem a seguir
A estratégia adotada, que inclui o decreto e o aval para operações com garantia da União, pode transferir a conta para o contribuinte, sem detalhamento claro de como a empresa voltará a recuperar mercado e eficiência.
Fica em aberto quais medidas concretas serão adotadas para que os Correios sobrevivam na disputa por encomendas, e qual será o custo final dessa tentativa de salvação para as contas públicas, num cenário em que o debate entre mais Estado ou privatizações seguirá central para 2026.

