Produtores Mato Grosso temem prejuízos com fazenda de soja e milho ao pôr do sol, agricultores preocupados e veículos parados.

Produtores de Mato Grosso temem prejuízos após homologação de terras indígenas, Imea alerta risco de mais de R$ 170 milhões e ameaça a empregos rurais

Produtores rurais de Mato Grosso dizem viver um cenário de insegurança depois das recentes homologações de terras indígenas, e temem perder safras e renda acumulada por décadas.

A preocupação atinge lavoura, pecuária e manejo florestal em municípios como Brasnorte, Conquista do Oeste, Nova Lacerda e Diamantino, segundo relatos de trabalhadores e proprietários locais.

As informações, com dados sobre produção e empregos, foram compiladas pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, e por relatos de produtores afetados, conforme informação divulgada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e relatos de produtores.

Impacto local em Brasnorte

Em Brasnorte, o Imea identificou cerca de 250 mil hectares dentro da área prevista para expansão da Terra Indígena Manoki, com produção agrícola e pecuária já em atividade.

No território mapeado estão 871 hectares de soja, 2,4 mil hectares de milho segunda safra, um rebanho de 44 mil cabeças e mais de 15 mil animais abatidos por ano, aponta o Imea.

O movimento econômico local ultrapassa R$ 80 milhões anuais, sustentando 242 empregos diretos, segundo o levantamento, e produtores afirmam que a ampliação atinge pequenos proprietários do assentamento Banco da Terra.

Depoimentos de produtores afetados

O produtor rural Valdir Pedro Orso, de Brasnorte, descreve quatro décadas de trabalho na mesma área e diz que cada plantio e cada cerca representam uma história construída aos poucos.

“Esses pés de manga eu plantei, têm 44 anos, é uma história. Agora dizem que vou ter que pagar, mas eu não vendi, todo o dinheiro que me derem é pouco. É injustiça, porque não estão dando chance para a gente se defender”, afirma Valdir.

Outro produtor, Flávio Giacomet, relata que trabalhava com manejo florestal sustentável em quase 5 mil hectares, atividade que empregava cerca de 30 trabalhadores, e que teve a atividade suspensa em 2004 pelo Ibama.

Giacomet afirma ter adquirido a área legalmente, seguido normas técnicas e preservado árvores marcadas como porta-sementes, e que desde a suspensão nunca conseguiu reativar o manejo, além de registrar boletins de ocorrência por furto de madeira.

Riscos econômicos e jurídicos apontados pelo Imea

De acordo com o Imea, além da Terra Manoki, foram homologadas as áreas Orapuru, Estação Parecis e Reserva Canela do Araguaia, entre outras, e, no conjunto, as medidas podem comprometer recursos e empregos.

O instituto aponta que a medida pode comprometer mais de R$ 170 milhões em produção agropecuária e colocar em risco quase 500 empregos, em uma estimativa que reúne os territórios afetados.

Em outra avaliação sobre o conjunto de homologaçõess, o Imea aponta que elas podem gerar prejuízo superior a R$ 170 milhões e eliminar mais de 400 empregos, destacando o potencial impacto econômico regional.

Reações de entidades e pedidos de indenização

Representantes do setor agrícola, como a Aprosoja Mato Grosso, questionam a falta de comprovação da presença contínua de indígenas em muitas dessas áreas e pedem garantias para as famílias afetadas.

Segundo o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, “No mínimo, no mínimo deveria ocorrer uma desapropriação com indenização justa para que essas famílias pudessem se restabelecer em outras localidades e continuar produzindo”.

Produtores e líderes regionais afirmam que esperam decisões que garantam diálogo, compensação e segurança jurídica, enquanto técnicos e autoridades ainda avaliam procedimentos e critérios das homologações.

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