Imagem de uma sala de conselho com membros discutindo, mesa com documentos e bandeiras brasileiras ao fundo, representando o acordo que o STF homologa que devolve poder de voto da União na Eletrobras.

STF homologa acordo que devolve poder de voto da União na Eletrobras, União terá três votos enquanto mantiver mais de 30% das ações

STF homologa acordo que abre exceção ao teto de 10% e devolve ao governo parte do poder de decisão na Eletrobras, definindo faixas de votos enquanto a União mantiver participação acionária

A Corte homologou um termo de conciliação entre a empresa, hoje chamada Axia Energia, e a União, que altera a lei que disciplinou a privatização e limitava o poder de voto de qualquer acionista a 10%.

Com a homologação, o governo federal passa a indicar mais membros no conselho conforme o tamanho de sua participação, medida que, segundo o relator, visa garantir estabilidade do setor elétrico.

As informações foram divulgadas em matéria sobre a decisão, conforme informação divulgada pelo g1

O que mudou na governança da Eletrobras

Antes da conciliação, a legislação sancionada na gestão do então presidente Jair Bolsonaro, do PL, estabelecia que nenhum acionista poderia deter mais de 10% do poder de voto, mesmo que mantivesse maior quantidade de ações ordinárias.

A mudança homologada pelo STF determina que, enquanto a União mantiver mais de 30% das ações, terá três dos dez votos no conselho de administração. Caso a participação caia para menos de 30%, mas permaneça acima de 20%, a União poderá indicar dois membros.

Se a participação ficar abaixo de 20%, o acordo se extingue e volta a valer a regra do teto de um voto para a União.

Argumentos da União e trechos do pedido

Na petição inicial, a Advocacia-Geral da União sustentou que, embora o Executivo ainda possua 42% das ações ordinárias, “por imposição normativa inconstitucional, teve seu poder político substancialmente reduzido a menos de 10% do capital votante.”

O pedido também afirmou que, “A legislação teria o efeito prático de uma desapropriação indireta dos poderes políticos da União”, e a conciliação procura reequilibrar a situação sem desconfigurar o teto para investidores privados.

Votos no STF e repercussão política

O relator do caso foi o ministro Nunes Marques, que defendeu a homologação como forma de preservar a estabilidade do setor elétrico. Divergiram os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Edson Fachin.

A decisão ocorre em contexto sensível para o setor, com debates sobre atuação de concessionárias após um apagão em São Paulo que deixou 2,2 milhões de pessoas sem energia, e com pedidos de intervenção para melhorar resposta a intempéries, defendidos pelo governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos.

O acordo tenta, conforme a argumentação governamental, impedir que investidores e blocos econômicos tomem controle efetivo da companhia, mantendo o teto de votação para terceiros, ao mesmo tempo em que preserva um poder de voto da União na Eletrobras proporcional à sua participação acionária.

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