O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu nesta quarta-feira, 10, manter a taxa Selic em 15% ao ano. A decisão, tomada por unanimidade, já era esperada pelo mercado financeiro. A Selic permanece no maior nível desde julho de 2006, quando atingiu 15,25% ao ano.
Decisão do Copom
Em comunicado, o Copom reafirmou que a manutenção da taxa no nível corrente por um período bastante prolongado é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O Comitê destacou que seguirá vigilante e poderá ajustar os passos da política monetária, não hesitando em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado.
Inflação e IPCA
Mais cedo, o IBGE informou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,18% em novembro. No acumulado de 12 meses, a inflação passou de 4,68% para 4,46%, entrando pela primeira vez no teto da meta de 4,5% desde setembro de 2024. O resultado reforça a avaliação do Copom sobre a necessidade de manter uma postura cautelosa até que a trajetória inflacionária esteja consolidada.
Cenário internacional e riscos
O comunicado também registrou incertezas no ambiente externo, em especial diante de mudanças na política econômica dos Estados Unidos. O Federal Reserve cortou a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. O Copom ressaltou ainda que acompanha anúncios sobre possíveis tarifas comerciais dos EUA ao Brasil e os desdobramentos da política fiscal doméstica, fatores que podem afetar condições financeiras e exigir cautela.
O que muda para consumidores e mercado
Com a Selic em 15%, o custo do crédito segue elevado, o que deve manter pressão sobre financiamentos e compras a prazo. Por outro lado, aplicações financeiras atreladas à taxa básica continuam oferecendo retorno mais atraente para poupadores. A inflação dentro do teto da meta dá algum alívio, mas o Banco Central opta por manter postura conservadora até ter sinais mais robustos de convergência duradoura.

