Cotações da soja ficam mistas em dia lento no Brasil; confira as regiões que registraram alta e impacto do USDA e do dólar

Mercado operou com ritmo reduzido, poucos negócios relevantes e ajustes pontuais em praças onde preços estavam acima da paridade

O mercado brasileiro de soja teve uma sessão de atividade reduzida na quarta-feira (10). Segundo o analista Rafael Silveira, da consultoria Safras & Mercado, o dia seguiu o padrão de poucas ofertas observado ao longo da semana, sem registro de negócios relevantes durante a sessão.

As cotações ficaram mistas: a Bolsa de Chicago (CBOT) registrou alta, o dólar subiu e os prêmios se mantiveram praticamente estáveis. Em algumas praças — especialmente onde os preços locais já estavam muito acima da paridade, como em partes de Minas Gerais — houve ajustes negativos, mas, no geral, predominou a falta de ofertas.

Mercado interno: preços por região

Nas principais praças consultadas, as cotações reportadas foram:

  • Passo Fundo (RS): mantido em R$ 136,00
  • Santa Rosa (RS): mantido em R$ 137,00
  • Cascavel (PR): mantido em R$ 136,00
  • Rondonópolis (MT): subiu de R$ 121,00 para R$ 122,00
  • Dourados (MS): subiu de R$ 126,00 para R$ 128,00
  • Rio Verde (GO): subiu de R$ 126,00 para R$ 127,00
  • Paranaguá (PR): subiu de R$ 142,00 para R$ 143,00
  • Rio Grande (RS): subiu de R$ 143,00 para R$ 144,00

Os movimentos refletem ajuste local de oferta e demanda, além da influência do câmbio e dos prêmios. Onde a cotação estava distante da paridade de exportação, houve correções; em outras regiões, os preços se mantiveram estáveis.

Soja em Chicago e relatório do USDA

Os contratos futuros da soja fecharam em alta na CBOT. A posição janeiro subiu 2,75 centavos de dólar, ou 0,25%, para US$ 11,01 por bushel. A posição março avançou 1,75 centavo, ou 0,15%, para US$ 11,10 1/2 por bushel. O movimento de recuperação técnica, no entanto, foi limitado pela demanda chinesa fraca pela soja americana e pelo relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), que não trouxe surpresas.

O USDA manteve as estimativas de safra norte-americana de soja para 2025/26 em 4,253 bilhões de bushels (equivalente a 115,74 milhões de toneladas) e produtividade em 53 bushels por acre, sem alterações em relação a novembro. Os estoques finais 2025/26 foram projetados em 290 milhões de bushels (7,89 milhões de toneladas), abaixo da expectativa do mercado de 309 milhões de bushels. Para 2024/25, o USDA estimou estoques de passagem de 316 milhões de bushels.

Em nível global, a produção prevista para 2025/26 é de 422,54 milhões de toneladas, contra 427,15 milhões de toneladas para 2024/25. Os estoques finais globais 2025/26 foram estimados em 122,37 milhões de toneladas, levemente abaixo da mediana de mercado.

Subprodutos e câmbio

Nos subprodutos, a posição janeiro do farelo fechou em baixa de US$ 0,10, a US$ 301,20 por tonelada. O óleo de soja para janeiro encerrou cotado a 51,09 centavos de dólar por libra-peso, com alta de 0,07 centavo (0,13%).

O dólar comercial fechou a sessão em alta de 0,51%, cotado a R$ 5,4656 para venda (R$ 5,4636 para compra). No dia, a moeda oscilou entre mínima de R$ 5,4189 e máxima de R$ 5,4904. A valorização do dólar pressiona as cotações locais ao melhorar a paridade de exportação, mas o efeito real depende da disponibilidade de oferta e dos prêmios em cada praça.

Em resumo, o mercado de soja operou em ritmo lento, com variações locais dependendo da relação entre preços domésticos e paridade de exportação, enquanto fatores externos — como o comportamento do dólar, a procura chinesa e as estimativas do USDA — limitaram movimentos mais expressivos.

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