Haddad confirma possibilidade de sair da Fazenda para reforçar a campanha de Lula em 2026, destaca gestão de estatais e reafirma que não pretende concorrer ao cargo
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que pode deixar o cargo para ter uma atuação mais ativa na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026.
Haddad garantiu que não pretende ser candidato nas próximas eleições, mas quer contribuir na elaboração do programa de governo e na estruturação da campanha.
As declarações foram concedidas em entrevista ao jornal O Globo, e deixam em aberto a data de eventual saída da pasta, enquanto destacam prioridades do ministro para o período à frente do Executivo.
conforme informação divulgada pelo jornal O Globo.
Saída da Fazenda e papel na campanha
Haddad disse, de forma direta, “Eu tenho a intenção de colaborar com a campanha do presidente Lula, e disse isso a ele, que eu não pretendo ser candidato em 2026, mas quero dar uma contribuição para pensar o programa de governo, para pensar como estruturar a campanha dele”, mostrando que sua vontade é atuar na definição do projeto e da estratégia.
Ao ser questionado se a saída da Fazenda estava definida, o ministro respondeu que “é uma possibilidade”, mas afirmou que a data não foi discutida, deixando a agenda em aberto e subordinada às necessidades do governo e do partido.
Posição sobre candidatura e articulação interna
Haddad ressaltou que não pretende concorrer em 2026 e que esta posição já foi comunicada internamente, afirmando ainda que seu objetivo é se colocar à disposição do partido e “servir ao que for designado”.
Segundo o ministro, a reação do presidente Lula à proposta de colaboração foi “muito amigável”, sinalizando concordância com a ideia de que ele possa assumir um papel mais ativo na campanha sem disputar cargo.
Estatais em foco, cortes e propostas para os Correios
Sobre desafios do setor público, Haddad afirmou que os Correios precisam de uma reinvenção para reverter o rombo financeiro. Ele destacou que o prejuízo acumulado em 2025 chegou a R$ 6 bilhões até setembro, quase o triplo do registrado no mesmo período do ano passado.
O ministro citou ainda que, para recuperar a operação, a Caixa Econômica ou outros bancos podem fazer parcerias para dar “capilaridade nos serviços”, e lembrou o decreto publicado pelo governo que autoriza a concessão de garantia da União para um empréstimo de R$ 20 bilhões aos Correios.
Além dos Correios, Haddad mencionou que a Eletronuclear é um ‘desafio histórico’, classificando as duas estatais como as que “inspiram mais cuidado” na gestão pública.
Agenda econômica e relações com o Congresso
O ministro também comentou o arrefecimento da agenda econômica e atribuiu parte do problema à menor produtividade legislativa. Ele afirmou que isso causa “angústia” no Executivo.
Haddad disse que “Se a pauta fica um pouco travada pela ação da oposição, inclusive com uma agenda que nem sempre é aquela que o país espera, isso vai criando esse tipo de dificuldade”, apontando para um cenário em que a oposição dificulta o avanço de propostas consideradas prioritárias pelo governo.
Com a possibilidade de transição para um papel mais próximo à campanha, Haddad deixa claro que pretende apoiar a reeleição de Lula sem disputar eleições, ao mesmo tempo em que acompanha e busca soluções para problemas centrais da administração pública.

